sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Mesóclise


Mesóclise

Emprega-se a mesóclise quando o verbo estiver no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo, desde que não se justifique a próclise. O pronome fica intercalado ao verbo.

Exemplos:

Falar-lhe-ei a teu respeito. (Falarei + lhe)
Procurar-me-iam caso precisassem de ajuda. (Procurariam + me)
Observações:

a) Havendo um dos casos que justifique a próclise, desfaz-se a mesóclise.

Por Exemplo:

Tudo lhe emprestarei, pois confio em seus cuidados. (O pronome "tudo" exige o uso de próclise.)
b) Com esses tempos verbais (futuro do presente e futuro do pretérito) jamais ocorre a ênclise.

c) A mesóclise é colocação exclusiva da língua culta e da modalidade literária.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Figuras de Sintaxe.


Figuras de sintaxe:

As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.

Elas podem ser construídas por:

a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
d) ruptura: anacoluto;
e) concordância ideológica: silepse.

Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:
Assíndeto:
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis).
Elipse:
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas." (elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...).
Zeugma:
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.
Exemplo: "Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes." (Zeugma do verbo: "e foram assassinados...") (Camilo Castelo Branco).
Anáfora:
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.
Exemplo: "Depois o areal extenso... / Depois o oceano de pó... / Depois no horizonte imenso / Desertos... desertos só..." (Castro Alves).
Pleonasmo:
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado.
a) Pleonasmo literário:
É o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.
Exemplo: "Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os olhos eu quis ver de perto / Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de Oliveira).
"Morrerás morte vil na mão de um forte." (Gonçalves Dias)
"Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa).
b) Pleonasmo vicioso:
É o desdobramento de idéias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma idéia, sendo apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras.
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir com os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio exclusivo / breve alocução / principal protagonista.
Polissíndeto:
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos.
Exemplo: "Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira).
Anástrofe:
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante/determinado).
Exemplo: "Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho." (Mário Quintana).
Hipérbato:
Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase.
Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " (As belas passeiam na Avenida à tarde.) (Carlos Drummond de Andrade).
Sínquise:
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo: "A grita se alevanta ao Céu, da gente. " (A grita da gente se alevanta ao Céu ) (Camões).
Hipálage:
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." (as lojas dos barbeiros loquazes.) (Eça de Queiros).
Anacoluto:
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a seqüência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado).
Silepse:
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.
a) Silepse de gênero:
Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa).
b) Silepse de número:
Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto).
c) Silepse de pessoa:
Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Poeme-se

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade


Para ajudar Professores - Exercícios de Interpretação

INTERPRETAÇÃO

1) Identifique a figura de sintaxe que ocorre no trecho abaixo:
Umas carabinas que guardava atrás do guarda-roupa, a gente brincava com elas de tão imprestáveis. (José Lins do Rego)
a) anacoluto
b) anáfora
c) aliteração
d) inversão


2) Em uma das alternativas há o vício de linguagem conhecido por ambiguidade. Assinale-a:
a) Vi aquela situação toda com meus próprios olhos.
b) Lia lia na folia.
c) Quero saber da novidade. Falem um por cada vez.
d) Pedro, o Paulo procura seu irmão.


3) Em relação ao seguinte provérbio: 'Não ames o sono, para que não empobreças; abre os teus olhos e te fartarás de pão', depreende-se que:
a) não se deve dormir.
b) não se deve fechar os olhos.
c) não se deve ter preguiça.
d) não se deve comer muito pão.


4) Na oração "Discrepâncias à parte, o fato é que nós, os caminhantes, formamos uma verdadeira tribo", se o autor optasse por redigi-la sem o pronome nós, do ponto de vista da concordância verbal, considerando-se a norma culta da língua, poder-se-ia afirmar que:
a) estaria incorreta, pois o sujeito "os caminhantes" exigiria o verbo na 3ª pessoa do plural;
b) estaria correta, constituindo-se um caso de concordância ideológica;
c) seria admissível, caso se tratasse de um texto não literário;
d) é um caso de concordância praticado na língua clássica, mas em desuso na língua atual;


5) De lá [o folhetinista] espalhou-se pelo mundo, ou pelo menos por onde maiores proporções tomava o grande veículo do espírito moderno.
Uma nova redação para a frase acima, que não prejudica o sentido original e está em conformidade com o padrão culto, é:
a) Sendo espalhado [o folhetinista] de lá para o mundo, ou a considerar minimamente onde o grande veículo do espírito moderno tomava maiores proporções.
b) O grande veículo do espírito moderno ganhava boa importância pelo mundo e de lá [o folhetinista] estava se espalhando, pelo menos por esses certos lugares.
c) [O folhetinista] Espalhou-se, de lá, pelo mundo todo, ou, quando menos, pelos lugares onde o grande veículo do espírito moderno adquiria mais força.
d) Salvo os lugares que o grande veículo do espírito moderno ganhou terreno, [o folhetinista] chegou a se espalhar, de lá, pelo mundo.


6) Leia o poema de Paulo Leminski para responder à questão.
Suprasumos da quintessência
O papel é curto.
Viver é comprido.
Oculto ou ambíguo,
tudo o que digo
tem ultrasentido.
Se rio de mim,
me levem a sério.
Ironia estéril?
Vai nesse ínterim,
meu inframistério
No poema,
a) o poeta refere-se à produção escrita partindo de uma generalização.
b) a palavra que representa o texto escrito é papel, pois há estreita contiguidade de sentido entre ambos.
c) os adjetivos que se referem, diretamente, à poesia são: oculto / ambíguo / ultrasentido / inframistério.
d) considerando o título, esse texto, por ser profundo, não deve ser lido de forma irônica. A expressão "ironia estéril" comprova isso.


7) Os trechos abaixo compõem um texto, mas estão desordenados. Ordene-os nos parênteses e assinale a opção correta.
( ) Em todos esses casos, os intelectuais falaram. Nos anos 50, eles foram a voz de uma nação ainda mergulhada nas névoas da consciência ingênua; nos anos 60, a de uma classe social que ainda não podia falar por si mesma; e nos anos 70, a de uma sociedade amordaçada.
( ) Ele não faltou também nos anos 60, quando os intelectuais, de modo geral, se tornaram marxistas e, pelo menos na variante gramsciana do marxismo, se percebiam como a consciência política do proletariado, como seus "intelectuais orgânicos".
( ) Reconhecimento foi o que não faltou aos intelectuais nos anos 50, quando esses se viam e eram vistos como articuladores teóricos de um grande projeto nacional-desenvolvimentista, e sentiam-se investidos da missão histórica de ajudar a nação a passar do estágio da "consciência ingênua" para o da "consciência crítica".
( ) Não faltou reconhecimento, enfim, nos anos 70, quando os intelectuais passaram a representar a democracia, que entrara em eclipse com o advento do regime militar.
(Sergio Paulo Rouanet)
a) 3º, 4º, 1º, 2º
b) 3º, 1º, 2º, 4º
c) 2º, 3º, 1º, 4º
d) 4º, 2º, 1º, 3º


8) Considerando o emprego do pronome em destaque, assinale a alternativa que contém a frase equivalente a - ... precisamos despertar nele o interesse de ler nosso artigo...
a) precisamos despertá-lo o interesse de ler nosso artigo.
b) precisamos despertar o seu interesse de ler nosso artigo.
c) precisamos despertar-te o interesse de ler nosso artigo.
d) precisamos despertar algum interesse de ler nosso artigo.


9) Descobriu-se uma nova espécie de arraia.
A arraia vive nas profundezas do oceano.
É uma prova da diversidade de espécies escondidas no fundo do mar.
Foi feita identificação recente de animais marinhos no litoral brasileiro.
As frases acima formam um único período com clareza, correção e lógica em:
a) Uma arraia que vive nas profundezas do oceano, descobriu-se essa nova espécie, onde prova a diversidade de espécies escondidas no fundo do mar, com a identificação recente de animais marinhos no litoral brasileiro.
b) Descobriu-se que uma nova espécie de arraia, vivendo nas profundezas do oceano, que é a prova da diversidade de espécies escondidas no fundo do mar no litoral brasileiro, com essa identificação recente de animais marinhos.
c) Foi feita identificação recente de animais marinhos no litoral brasileiro onde que descobriu-se uma nova espécie de arraia, em que ela vive nas profundezas do oceano sendo a prova da diversidade de espécies escondidas no fundo do mar.
d) Descobriu-se uma nova espécie de arraia, a qual vive nas profundezas do oceano, sendo uma prova da diversidade de espécies escondidas no fundo do mar, cuja identificação, é recente de animais marinhos, no litoral brasileiro.


10) "Em qualquer discussão pública, a familiaridade com o status quaestionis é não somente desnecessária como inconveniente". O sentido desse trecho está mantido em:
a) A familiaridade com o status quaestionis é, além de desnecessária, também inconveniente, em qualquer discussão pública.
b) Em qualquer discussão pública, não apenas a familiaridade com o status quaestionis é desnecessária e inconveniente.
c) A familiaridade com o status quaestionis, em qualquer discussão pública, é tão somente desnecessária e inconveniente.
d) Em qualquer discussão pública, a familiaridade com o status quaestionis é absolutamente desnecessária, embora inconveniente.

1-a
2-d
3-c
4-b
5-c
6-b
7-d
8-b
9-d
10-a

Demos uma qualidade: O Adjetivo


Adjetivo é a palavra que expressa uma qualidade ou característica do ser e se "encaixa" diretamente ao lado de um substantivo.

Ao analisarmos a palavra bondoso, por exemplo, percebemos que além de expressar uma qualidade, ela pode ser "encaixada diretamente" ao lado de um substantivo: homem bondoso, moça bondosa, pessoa bondosa.

Já com a palavra bondade, embora expresse uma qualidade, não acontece o mesmo; não faz sentido dizer: homem bondade, moça bondade, pessoa bondade.
Bondade, portanto, não é adjetivo, mas substantivo.

Morfossintaxe do Adjetivo:
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas relativas aos substantivos, atuando como adjunto adnominal ou como predicativo (do sujeito ou do objeto).

Classificação do Adjetivo

Explicativo: exprime qualidade própria do ser. Por exemplo: neve fria.
Restritivo: exprime qualidade que não é própria do ser. Por exemplo: fruta madura.

Formação do Adjetivo

Quanto à formação, o adjetivo pode ser:

ADJETIVO SIMPLES= Formado por um só radical.
Por exemplo: brasileiro, escuro, magro, cômico.

ADJETIVO COMPOSTO= Formado por mais de um radical.
Por exemplo: luso-brasileiro, castanho-escuro, amarelo-canário.

ADJETIVO PRIMITIVO = É aquele que dá origem a outros adjetivos.
Por exemplo: belo, bom, feliz,  puro.

ADJETIVO DERIVADO= É aquele que deriva de substantivos ou verbos.
Por exemplo: belíssimo, bondoso, magrelo.